sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O Maomé e a Lenço Azul



Saudações o meu nome é Maomé e a história que passarei a narrar, a ti, que me quer ouvir nestes meus últimos momentos, deitado nesta cama de hospital, aguardando a chegada do anjo negro sucede-se no meu ano de caloiro, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar no Porto. Nesse mítico ano que eu não irei referir o número, sucedeu-se um enorme leque de acções das quais realçarei 4, 3 das quais referirei agora mesmo, foi nesse ano que me foi dado o nome que referi antes, foi o ano que a minha antiga namorada, a Diana Silva, que Deus a tenha em eterno descanso faleceu. E finalmente foi o ano em que conheci a Lenço Azul e é sobre ela que eu falar agora.

Na praxe eu sempre passei despercebido, quer para os demais caloiros, quer para os nossos doutores, por várias vezes passei por faltar as sessões de praxe quando estava alinhado na fila da frente, e quando se fazia a contagem todos se assustavam quando eu dizia bem alto o número que me era correspondido ao mesmo tempo que o colega do fundo da fila atrás de mim. Se não fosse o meu padrinho a alterar o meu nome no baptismo eu seria para sempre conhecido como “O invisível”, isto é importante referir pois ela era a única que se esforçava para não se rir quando todos davam um salto. Ela fora a primeira a reparar em mim! E por essa razão nos tornamos amigos e a medida que nos íamos rindo nas aulas pelo mesmo se suceder ai e encontrando gostos em comum, acabamos por ficar muito próximos, próximos ao ponto de eu deixar de ser tão transparente aos olhos dos outros, pois se a Lençinho estava ali o Maomé também deve de estar, mas uma coisa veio mudar essa amizade e posteriormente acabá-la por completo… A Diana fora atropelada, entrou em coma e passados 3 meses faleceu e na consequência da sua morte prematura algo mudou dentro de mim, aos poucos e poucos, eu passei a olhar a Lenço Azul com outros olhos, olhos que lentamente fizeram com que passa-se a desenvolver sentimentos, sentimentos que outrora pertenciam única e exclusivamente à falecida. Eu apaixonei-me pela minha melhor amiga!

Apaixonar-me por ela foi a pior coisa e a melhor coisa que me sucedeu nessa altura, melhor pois ajudou-me bastante a superar aquela situação, apesar de me sentir um pouco culpado, quase como se estivesse a trair a falecida, e a pior pois, apesar de quer passar todo o tempo que pudesse com a Azul eu tinha vergonha e medo de o fazer, comecei a evita-la, deixei de falar com ela, até que um dia deixei cair a I LOVE YOU! bomb e fui recusado instantaneamente. Isso deixou-me despedaçado e como prémio de consolação foi me oferecido o podemos continuar a ser amigos?
NENHUM RAPAZ GOSTA DE OUVIR ISSO, OK? NÓS SOMOS ORGULHOSOS! O LET’S JUST BE FRIENDS torna-vos num alvo para nós, e por causa disso nós acabamos por fazer as maiores figuras de parvo da história para vos agradar e esperar que o FRIENDS se torne em algo mais, o que não acontece, na generalidade, fazendo com que nós fiquemos de bolsos a abanar, foi isto que me aconteceu, agora estou deitado numa cama de hospital, como disse, aguardando o ceifeiro, sozinho, sem família, sem amigos, solteiro, a falar da mulher que continuo a amar ao corpo da pessoa que está na cama ao meu lado. Só existe um caminho para acabar as crises cardíacas que tenho tido, tirar o tubo de oxigénio das minhas narinas e morrer lenta e dolorosamente, para tentar encontrar a única mulher que me amou e lhe pedir perdão pelo que a fiz ver enquanto estive por cá, sozinho, até ao final. Adeus bela Lenço Azul, nunca te voltarei a ver, pois decerto que não irás para o inferno comigo…


Dois dias depois a Lenço Azul falece enforcada no seu quarto, pois quando foi visitar Maomé ao hospital, a pessoa que este pensava que era um corpo, estava vivinha da silva, não tinha era forças para o auxiliar. Mas não fiquem tristes, pois eu tenho a certeza que estejam onde estiverem, Maomé e Lenço Azul estarão juntos e felizes, tenho a certeza isso, pois quando ela o veio visitar, foi só amor que eu vi naqueles tristes olhos negros…

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

D Broz: A lenda e o nascimento profetizado

Reza a lenda demónica escrita pelo padre Maximilianus Colbi, a quando este foi possuido, no ano de mortal de 1095, quando os demónios, antes do portal para esse mundo ter sido selado selado por Spardamicus o cruel no ano de 1408, pelo aspirante ao trono da família demónica S, uma das três famílias descendentes do unificador e primeiro monarca do nosso mundo Belzebu o negro, Satanicus o maluco, que dizia o seguinte:
"No ano da milésima terceira lua do reinado do 1001º descendente de Belzebu o anjo negro, filho do temível Lúcifer o anjo vermelho, nascerão duas crianças e uma dessas crianças trará o fim às criaturas das trevas e com ela a paz para os fieis seguidores de nosso senhor Jesus Cristo.
Essas vis criaturas saberão quando o seu julgamento se aproxima quando nessa bendita noite o grito de um dos seus senhores se fizer ouvir por todo o vosso nojento mundo. Os vossos edifícios caíram e os vulcões que fornecem o vosso tão precioso enxofre cessarão e com isto guerras se iniciarão e famílias se extinguirão e no meio de toda essa confusão por vós criada o angelical exercito de sua santidade o Santo Padre abrirá um portal e com as suas mãos trará um verdadeiro a vossa maldita existência e a esse maldito reino, pondo um ponto final a esta santa guerra que travamos com vocês desde a morte do nosso salvador e instituição desta santa organização.
Temei a chegada do que grita pois ele é um enviado do senhor que nos ajudará nesta tão preciosa demanda, Ámen!"
Durante milénios se pensou que esta lenda não passava de uma mera história de terror que se contava aos doces diabinhos quando estes decidiam portar-se bem e não comer a sua sopa de enxofre estufado, mas tudo mudou quando se descobriu que a esposa de Spardamicus III o punho de aço, Flora a bela, filha de Flavius o Ogre o herói da revolta dos Southern daemones, se encontrava de não um, mas dois herdeiros para o real trono da morte.
Quando isto veio ao de cima o medo atacou os buracos que cada demónio tem no peito e a paz começou a reinar, as ruas tornaram-se desertas os habituais gritos e rangeres de dentes que se costumava a ouvir cessaram. O Daemonum Mundus parecia um paraíso o que deixava Spardamicus III o punho de ferro bastante irritado, criou-se uma unidade militar para se devolver o caos e o mal estar ao seu reino, mas os seus soldados também receavam pelas suas vidas.
Na nongentésima oitava noite do reinado do punho de ferro este bane todos os escritos lendários e humanos do seu reino e manda assasinar tudo e todos que acreditassem na lenda Maximilliana na corte demónica, para mandar um exemplo às outras classes. Apenas dois terços dos tementes da lenda que faziam parte da corte é que foram mortos até ao nascimento dos herdeiros.
O tempo passou até que a trágica milésima primeira noite finalmente chegara. A residência real estava numa maior confusão as criadas corriam para trás e para a frente levando tolhas e água a ferver os soldados tinham saído em busca do médico mais próximo, visto que o médico da corte havia falecido de morte natural à dez noites atrás. E o monarca encontrava-se a olhar por uma janela em quanto esmagava um pedregulho que havia tirado de uma enorme baú que ele tinha nos seus aposentos, para quando ele necessitava de se manter calmo e frio.
O tempo passou e eventualmente as crianças acabaram por nascer o primeiro a quem a Flora deu o nome de Spardanteus deu um berreiro que se fez ouvir por todo o reino e fez com que o chão treme-se, os vulcões cessarem, mas nenhum edifício caiu, já o segundo, a quem a mãe deu o nome de Shintetsu, nome estranho para um demónio, deu uma gargalhada capaz de fazer gelar a espinha de qualquer mortal, o tremor de terra parou os vulcões voltaram ao activo e os súbditos da casa real decidiram temos de matar o príncipe  Spardanteus para o bem do Daemonum Mundus.



Continua no próximo mês...

Todas as personagens, armas e localizações referidas nesta história, são propriedade intelectual de Rúben Pinto e do D Studios!

Obrigado ao meu amigo ninguém por me deixar publicar mensalmente a saga de contos D Broz.

domingo, 2 de setembro de 2012

O Mudo do Hospital de Magalhães Lemos


O meu nome é João de Sousa Magalhães, sou psicólogo e a história que passo a contar desenrola-se durante umas visitas que eu fiz ao Hospital de Magalhães Lemos. Inicialmente para visitar um familiar meu que lá se encontrava internado e que por lá ainda se encontra, mas posteriormente para visitar um dos pacientes que lá se encontrava, paciente que os demais chamavam de “O Mudo”.
O Mudo era uma pessoa que se encontrava internado desde o dia 30 de Janeiro de 1997 nunca proferindo uma só palavra, o que saíam da sua boca ora eram suspiros, ora eram grunhidos. O seu cabelo era muito comprido e de um tom castanho-escuro, nos seus olhos havia duas covas causadas pelas enumeras noites que passara sem dormir, tirando a atenção dos seus olhos verdes cor de esmeraldas. Era uma pessoa de estatura média, extremamente magra, pois este só comia quando as enfermeiras empurravam-lhe a comida pela garganta a baixo. Era muito anti-social, quando não estava no seu "quarto" a gritar, O Mudo encontrava-se sempre sentado no mesmo canto com os braços agarrados às pernas, a baloiçar para a frente e para trás durante horas até que se levantava e voltava a fechar-se no outro local.
Por alguma razão este individuo faxinou-me bastante e rapidamente as minhas visitas tornaram-se um pretexto para vislumbrar e estudar o seu comportamento. A princípio contentava-me em estuda-lo de longe, mas numa fase mais avançada eu reparei que na verdade não estava a avançar no meu estudo, e portanto, decidi que a única forma de aprender mais sobre esta pessoa fascinante seria entrando em contacto com ela.
A inicio as minhas intervenções foram verdadeiros fracassos sempre que me aproximava O Mudo fugia e quando não o fazia colocava os dedos nos ouvidos começando a gritar, mas com esses gritos eu descobri que este tinha uma voz aguda, o que provara a minha suspeita de que na verdade O mudo era muda, ou seja uma ela que se tentava passar por uma pessoa do sexo oposto, o que me deixo ainda mais fascinado. As minhas visitas passaram a ser dia sim, dia não em vez de semanais e apesar de durante o primeiro mês de contacto com A Muda, digo O Mudo, digo ela… parecerem mostrar-se tentativas frustradas da minha parte, o que fez com que tivesse vontade de desistir, mas tudo mudou naquela a que eu tinha decidido ser a minha última visita.
Nesse dia ao contrário dos demais dias ela saiu do quarto e veio ao meu encontro puxou-me pela manga e fez um som de “hamham” como quem pede que a siga. Convidou-me a entrar no seu quarto e apontou para a sua cama como quem diz senta-te, fechou a porta e sentou-se no chão a minha frente mirando-me como uma criança curiosa, surpreendendo-me com o que fez a seguir.
-Quem és tu?- perguntou A Muda, após quase 11 anos de silêncio, deixando-me de boca aberta.
Eu fiquei ali daquele modo durante quase 10 minutos chocado por ouvir a foz daquela mulher, uma voz surpreendentemente bela, o que fez com que eu tivesses pena que só agora é que aquela bela voz podes-se ser apreciada.
-Eu sou o João Magalhães, tenho 33 anos e sou psicólogo. E tu como te chamas?- falei finalmente, receando que ela me mandar-se embora por causa da minha profissão.
-Eu sou a Marta Simões, sou licenciada em economia e temos a mesma idade. Eu gosto de ti, tu não és como os outros.- respondeu surpreendendo-me outra vez.
-Como os outros? O que queres dizer com isso?
-Sim como os outros, foste a única pessoa que se deu ao trabalho de me tentar conhecer durante mais de 4 meses, os médicos já desistiram de mim.- respondeu com uma gota de raiva na sua voz.
Durante esse dia nós falamos e falamos até uma enfermeira me ter descoberto no seu quarto e me mandar embora, dizendo que a hora das visitas já havia terminado. Após este episódio as minhas visitas tornaram-se diárias, descobri que a razão do seu silêncio foi o seu pai a ter violado aos 15 anos, ter engravidado aos 16, gravidez que fora fruto das várias vezes que o seu pai a havia violado e quando este descobriu, levou-a a um médico seu amigo e abortou o neto/filho ilegalmente, quando voltaram o pai estrangulou-a enquanto a violava outra vez, ela chorava e não sabendo como enfiou o polegar no olho dele antes de perder os sentidos, fazendo com que este a larga-se, sorte sua. Sorte pois com isto ganhou a força suficiente para fazer as malas e fugir para a casa dos tios. Aos 23 anos os tios internam-na nesse mesmo hospital, onde se encontrava sem comunicar até aquele dia, o dia 20 de Abril de 2007.
As minhas visitas ajudaram-na muito, começou a alimentar-se e a dormir melhor. De estranhos passamos a amigos e da amizade começaram a despertar sentimentos entre nós, o que não é muito profissional da parte de uma pessoa que começou a falar com intuito meramente académico.
A 18 de Junho de 2010 consegui com que a Marta conseguisse alta e desde então nunca mais ouvi falar da senhora Marta Simões, mas não fiquem tristes pois a razão pela qual eu nunca mais ouvi falar de Marta Simões, é porque ela se tornou a senhora Marta Simões de Sousa Magalhães, finalmente iniciou a exercer a sua profissão, e acreditem quando vos digo que ela nunca mais foi infeliz e nunca mais teve problemas de sanidade  para dizer a verdade ela é bem mais lúcida que eu!