domingo, 21 de abril de 2013

Vomito nos Leões

Era uma fria e húmida noite de outono e para tirar a cabeça dos tratamentos e exames que estava a fazer decidi ir com o meu primo ao piolho. O meu primo foi ter com os seus amigos e como sempre, fez questão de me fazer o menos à vontade possível para fazer a amabilidade de o deixar em paz, o que fiz de bom grado.
Entrei num dos bares, pedi uma Coca-cola, não tinham o Guaraná Antartica que eu tão aprecio, e sentei-me num dos bancos de pedra naquele jardim que por trás da reitoria da UP e fiquei lá a olhar para o céu estrelado deixando a minha mente voar livremente, interrompendo de vez em quando para olhar para o Timex que me tinha sido oferecido no dia do meu 15º aniversário. Para muitos isto poderia ser a definição de uma noite aborrecida, mas acreditem quando vos digo que era mil vezes melhor que aturar o meu primo e seus amigos.
Estava eu a ponderar na mítica discussão online "Quem é o mais forte, Goku ou o Superman?"quando três rapazes e uma rapariga vieram para o meu banco, podres de bêbados, falar sobre sei lá o quê, que foi feito por sei lá quem em tal sitio num dia que não me interessa. Eu voltei a olhar para o céu estrelado desejando que eles não reparassem em mim, e subsequentemente, não me chateassem. Como eu estava enganado.
A rapariga que era quem aparentava ser a mais sóbria do grupo vomita em cima de mim e como que por magia eu deixo de ser invisível , o que a deixou extremamente atrapalhada. Eu, vermelho que nem um tição, tentei fugir o mais depressa possível, mas ela puxou pelo carapuço do meu camisolão e arrastou-me até à sua casa que não ficava muito longe dali.
Na casa dela, levou-me para o seu quarto, tirou o meu camisolão e levou o para lavar, pediu-me mil perdões e como eu só queria ir para a Foz e meter-me num buraco bem fundo eu disse-lhe que depois me dava. Fugi a 7 pés, apanhei o 1M das 2 e foi para a Foz, para a casa dos meus tios. Entrei sorrateiramente e dormi até às 6 para ir para a Batalha, apanhar o autocarro para a Feira.

Eu pensava que a aventura ficava aqui, disse adeus ao camisolão e a rapariga da Bebedeira. Mas durante uma aula de Inglês, enquanto esperava um telefonema da minha mãe para ver se o meu avô estava bem, liga-me um número desconhecido, que por surpresa era a miúda que ficara com o meu camisolão.
Ela pediu-me mais mil perdões e disse para ir ter onde a conhecera, eu concordei e marquei com ela na próxima semana. Ela chateou-me o tempo todo com mensagens até à data marcada, quando me encontrei com ela no mesmo local onde havia acontecido aquela nojeira. Foi então que eu reparei como ela era bela. O seu cabelo era longo e platinado, os seus olhos verdes como esmeraldas, a pele morena e tinha um piercing na sobrancelha esquerda. Vestia umas calças de ganga e um top negro com uma caveira, e nos braços, como uma toalha, estava o meu camisolão.
Eu corei ligeiramente e peguei o meu camisolão, falei com ela um bocado e decidimos ir ver um filme ao Dolce Vita do Dragão. Não me recordo qual era o filme, e cobre o que é que se tratava só me recordo que no final lhe pedi para ser minha namorada. Ela aceitou, foi o primeiro de muitos dias felizes.
Era dia 23 de Abril, dia de S.Jorge, o dia em que eu, minha querida Joanita, conhecia a tua mãezita.

Sem comentários:

Enviar um comentário