A casa estava rodeada por um silencio desconfortante, como se não tivesse ninguém em casa.
Mas alguém está cá pois os sapatos do meu filho estão na entrada, se bem que estão colocados de um modo um pouco estranho. Não estão colocados ao Deus dará, como é habitual, mas sim bem arrumadinhos num canto ao lado dos meus chinelos e do pai dele.
Eu chamo a voz dele, mas ninguém responde. Será que ele tem aquela merda de fones nos ouvidos e não me consegue ouvir?
Eu pouso a minha mala na mesa da cozinha procurando o meu telemóvel pois tenho uma importante chamada para fazer, quando reparo numa folha de papel que dizia o seguinte:
A vida é como um combate de boxe, enquanto temos alguém no nosso canto a apoiarnos e a darnos força, nos continuamos a levantar e a dar luta... Mas no meu canto não tenho ninguém...
Os meus pais suponhem que tou bem, ignorame quando tento falar com eles. Os meus amigos? Eu n tenho disso, na minha turma todos se metem comigo, passo os almoços sozinho, nas aulas os prof é k tem de me meter no grupo, pk ninguem me quer. Miúda? Sim eu gosto de uma gaja e ela ate aceitou sair comigo, mas era uma armadilha para fazerem mais pouco de mim, o pior e k ela e k se riu mais da minha cara, pois bem ja chega.
N quero tar sempre so, n aguento mais esta merda, se isto e tar vivo prefiro morrer!
Pai, mãe, prendas e dinheiro n é tudo, carinho e atenção tambem sao necessarios.
Ursos, felicidades pra voces ganharam, ficam com mais uma razao pra se rirem da minha cara.
Paula es uma vaca, mais nada.
Adeus e ate sempre
Ao ler estas palavras eu comecei a chorar, procurei em todas as divisões da casa em quando gritava desesperada pelo seus nome até que cheguei ao quarto de banho dele e encontrei o seu corpo gelado e imóvel, comprimidos espalhados pelo chão. Eu segurei o meu filho nos meus braços, abanei-o várias vezes gritando e chorando, mas não valia de nada.
O meu filho tinha partido e eu, agora podia fazer nada para alterar isso.
terça-feira, 23 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Conta-me a histoinha da mana Papá...
Um pai senta-se ao lado da sua filha e começa a aconchega-la antes de lhe dar um beijo de boa noite. Ele desliga a luz e começa a fechar a porta, quando a menina lhe fala com a voz mais doce que possas imaginar.
-Papá, conta-me uma histoinha, popavor.
O pai olha para ela com grande ternura e pergunta-lhe a medida que um pequeno sorriso se desenha na sua face
-E que história é que queres que o papá te conte minha flor?
Ela começa a olhar para o tecto, pensando em que história é que queria que o pai contasse desta, lembrando-se que aquela era a história perfeita para o pai lhe contar naquela noite, e então com um sorrisinho malandro ela olha para o pai e diz: Conta a histoinha da mana, popavor!
-Tens mesmo a certeza que queres ouvir essa história?- disse o pai- Eu posso sempre contar a história do gato Tobias!?
-Não,- teimou ela, com ar decidido- eu quero ouvir a histoinha da mana
O pai suspirou e começou a abanar a cabeça em sinal de derrota. Ele odiava contar aquela história, por causa de toda a dor que ela lhe trazia. Mas ela, por algum motivo adorava aquela história. E como ele odiava desiludir a sua pequena, ainda mais que a dor dessa história, lá começou a narrar.
-Muito bem meu piolho eléctrico- disse ele enquanto ela dava risadas- Tudo começou quando o pai andava no 12º ano e começou a namorar uma rapariga...
-Ela era bonita? - interrompeu a criança
-Sim, muito bonita - retomou o pai- mas, não tão bonita como a mamã.
E quando disse isto começa-se a rir, um riso seco e triste antes de retomar a narração.
-Essa rapariga foi muito especial para o pai. Ela e o papá gostavam muito um do outro, e por isso um dia um anjinho veio nos dizer...
-Que por serem muito bonzinhos iam ter a mana- interrompeu a menina
-Disse que iamos ter a tua maninha. A namorada do papá ficou muito confusa, porque ela não estava preparada para ser mamã e mesmo a mãe dela rezando para que ela não tivesse a tua mana, o pai disse...
-Nos vamos ter a mana- disse a menina enquanto se ria
-Sim, a namorada ficou muito feliz, por o papá ficar do lado dela. Mas o problema...
-Foram os meninos maus que começaram a chamar nomes à namorada e tentaram sepaar o pai e a moada- interrompeu a menina outra vez.
O pai olhou para ela com um ar severo e um sorriso traquina e perguntou-lhe enquanto desalinhava os seus cabelinhos ruivos encaracolados- Tu queres mesmo que eu conte a história?
-Sim, gritou a menina
-Shhhhhhhiu, não queres acordar a mamã pois não?- perguntou o pai, ao que ela respondeu com um aceno negativo- Então vamos fazer pouco barulho por causa da mamã está bem?
-Tá bem.
-E não interrompes mais o pai?
-Não, pometo papá.
-Linda menina, onde é que eu ia? Ah pois, os meninos maus. Eles tentaram e tentaram, mas nada conseguiram. Mas os meninos maus conheciam a mãe da namorada, que ao contrário da vovó e do vovô, não queria uma netinha. E por isso, quando ouvi o que os meninos diziam, ela rezou mais e mais, para tentar impedir que a mana nascesse.
Ela largou um suspiro enquanto se agarrava aos lençóis, o pai esfregou carinhosamente o seu bracinho esquerdo antes de continuar: -Ela rezou e até chegou a ameaçar o pai para a deixar, pois se o pai a deixa-se o anjo vinha e levava o bebé, mas o papá mostrou-lhe que gostava da namorada e ela deixou de rezar. E em vez de rezar começou a preparar, contra a vontade, a chegada da neta dela.
O tempo foi passando e o dia da mana chegar aproximou-se, mas a namorada chateou-se com o papá um mês antes do bebé chegar e foi-se embora, nunca mais voltando. Com a partida da namorada o anjo ficou chateado e disse ao papá que por o amor não prevalecer a mana iria para outro casal que se gostasse muito- ele faz uma curta pausa para conter as lágrimas que queriam começar a cair e com um sorriso forçado deu outro beijo na testa da menina- boa noite meu anjo, sonhos cor-de-rosa.
-Boa noite papá- disse a menina enquanto ele desligava mais uma vez a luz e fechava a porta.
A verdade é que a mãe da namorada queria que ela abortasse, os amigos deles chamavam-nos nomes pelo deslize que tiveram. E no oitavo mês de gestação a namorada dele fora atropelada por um camião, os médicos tentaram salvar a vida da criança. Mas nenhuma das duas sobrevivera.
E a sua filha ficara obcecada com a ideia da mana quando ouvira os pais a discutir no dia do aniversário da morte da irmã dela.
-Papá, conta-me uma histoinha, popavor.
O pai olha para ela com grande ternura e pergunta-lhe a medida que um pequeno sorriso se desenha na sua face
-E que história é que queres que o papá te conte minha flor?
Ela começa a olhar para o tecto, pensando em que história é que queria que o pai contasse desta, lembrando-se que aquela era a história perfeita para o pai lhe contar naquela noite, e então com um sorrisinho malandro ela olha para o pai e diz: Conta a histoinha da mana, popavor!
-Tens mesmo a certeza que queres ouvir essa história?- disse o pai- Eu posso sempre contar a história do gato Tobias!?
-Não,- teimou ela, com ar decidido- eu quero ouvir a histoinha da mana
O pai suspirou e começou a abanar a cabeça em sinal de derrota. Ele odiava contar aquela história, por causa de toda a dor que ela lhe trazia. Mas ela, por algum motivo adorava aquela história. E como ele odiava desiludir a sua pequena, ainda mais que a dor dessa história, lá começou a narrar.
-Muito bem meu piolho eléctrico- disse ele enquanto ela dava risadas- Tudo começou quando o pai andava no 12º ano e começou a namorar uma rapariga...
-Ela era bonita? - interrompeu a criança
-Sim, muito bonita - retomou o pai- mas, não tão bonita como a mamã.
E quando disse isto começa-se a rir, um riso seco e triste antes de retomar a narração.
-Essa rapariga foi muito especial para o pai. Ela e o papá gostavam muito um do outro, e por isso um dia um anjinho veio nos dizer...
-Que por serem muito bonzinhos iam ter a mana- interrompeu a menina
-Disse que iamos ter a tua maninha. A namorada do papá ficou muito confusa, porque ela não estava preparada para ser mamã e mesmo a mãe dela rezando para que ela não tivesse a tua mana, o pai disse...
-Nos vamos ter a mana- disse a menina enquanto se ria
-Sim, a namorada ficou muito feliz, por o papá ficar do lado dela. Mas o problema...
-Foram os meninos maus que começaram a chamar nomes à namorada e tentaram sepaar o pai e a moada- interrompeu a menina outra vez.
O pai olhou para ela com um ar severo e um sorriso traquina e perguntou-lhe enquanto desalinhava os seus cabelinhos ruivos encaracolados- Tu queres mesmo que eu conte a história?
-Sim, gritou a menina
-Shhhhhhhiu, não queres acordar a mamã pois não?- perguntou o pai, ao que ela respondeu com um aceno negativo- Então vamos fazer pouco barulho por causa da mamã está bem?
-Tá bem.
-E não interrompes mais o pai?
-Não, pometo papá.
-Linda menina, onde é que eu ia? Ah pois, os meninos maus. Eles tentaram e tentaram, mas nada conseguiram. Mas os meninos maus conheciam a mãe da namorada, que ao contrário da vovó e do vovô, não queria uma netinha. E por isso, quando ouvi o que os meninos diziam, ela rezou mais e mais, para tentar impedir que a mana nascesse.
Ela largou um suspiro enquanto se agarrava aos lençóis, o pai esfregou carinhosamente o seu bracinho esquerdo antes de continuar: -Ela rezou e até chegou a ameaçar o pai para a deixar, pois se o pai a deixa-se o anjo vinha e levava o bebé, mas o papá mostrou-lhe que gostava da namorada e ela deixou de rezar. E em vez de rezar começou a preparar, contra a vontade, a chegada da neta dela.
O tempo foi passando e o dia da mana chegar aproximou-se, mas a namorada chateou-se com o papá um mês antes do bebé chegar e foi-se embora, nunca mais voltando. Com a partida da namorada o anjo ficou chateado e disse ao papá que por o amor não prevalecer a mana iria para outro casal que se gostasse muito- ele faz uma curta pausa para conter as lágrimas que queriam começar a cair e com um sorriso forçado deu outro beijo na testa da menina- boa noite meu anjo, sonhos cor-de-rosa.
-Boa noite papá- disse a menina enquanto ele desligava mais uma vez a luz e fechava a porta.
A verdade é que a mãe da namorada queria que ela abortasse, os amigos deles chamavam-nos nomes pelo deslize que tiveram. E no oitavo mês de gestação a namorada dele fora atropelada por um camião, os médicos tentaram salvar a vida da criança. Mas nenhuma das duas sobrevivera.
E a sua filha ficara obcecada com a ideia da mana quando ouvira os pais a discutir no dia do aniversário da morte da irmã dela.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Os demónios do velho louco
Numa pequena aldeia isolada no interior vivia um velho chamado de louco. Ele vivia sozinho numa pequena casa de um só quarto, de dia e de noite a sua companhia era o pequeno radio a pilhas que um parente, cuja cara ele esquecera lhe havia oferecida à muitos, muitos anos.
Mas nem sempre o louco vivera naquele aldeia, para dizer a verdade só nos seus 24 anos é que ele se mudara para lá... O que aconteceu aquele idoso?
Tudo começou no dia do seu 23º aniversário, o louco, que até então era conhecido como Herodes decidiu mudar-se para a casa da sua namorada Diana. Herodes e Diana namoravam à quase 5 anos e para muitos eram o casal mais bonito da academia. Tudo neles parecia perfeito, tudo desde a sua beleza exterior ao enorme intelecto que ambos detinham, tudo neles parecia fácil, mas tudo ia mudar.
Num trágico dia de inverno a mãe de Diana, a única família que lhe restava, morre e com ela vai a facilidade que Deus, nosso senhor, lhes havia abençoado...
Diana entrou em depressão, com a depressão veio um pensamento, o de deixar tudo e com esse pensamento vieram as acções. Todos os dias ela intentava por um fim ao que ela tinha de mais precioso e todos os dias Herodes adiava aquela vontade crescente que lhe percorria as veias, para que logo após, o que ele achava ser um heróico salvamento, vinham os insultos... ele não aguentava mais, apesar das suas tentativas de auxilio ela empurrava-o para um canto obscuro.
Ele chegou a um ponto em que a sua sanidade mental não aguentava mais, ele fez as malas e fez-se à estrada, voltava para a casa dos pais, lugar que ele começava a achar que nunca deveria ter abandonado... Ele arrependesse de ter partido até hoje, pois uns míseros dois dias depois ela atirou-se da varanda, mas antes de se atirar ela deixou uma carta para ele dirigida.
Hoje esperei o regresso do meu cavaleiro encantado, para me salvar dos meus pesadelos. Esperei o cavaleiro que me salva sempre que estou em sarilhos, mesmo que não o queira.
Eu esperei-te amor, mas tu não apreces-te, e tenho medo que se tu não apareceres amanhã eu leve a cabo o pensamento mau que me envenena.
Se não voltares aceite isto como a minha despedida, eu não vou porque te odeio, eu vou porque o meu lado frágil não aguentou mais.
Amo-te muito,
Diana
Ao ler estas palavras Herodes decidiu fugir para onde ninguém o conhece-se, para viver em penitencia.
Ele fugiu de tudo e de todos, porque não se conseguia perdoar pela morte dela.
Ele sentia as suas mãos cobertas com o sangue dela, mas o que ele não se apercebia é que ele não tinha culpa do sucedido, pois ele fez tudo o que estava ao seu alcance, e apesar de aquelas palavras bonitas ela ia acabar por "ganhar" e a sua vida desperdiçar.
Pobre velho louco, que descanses em paz...
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