Numa pequena aldeia isolada no interior vivia um velho chamado de louco. Ele vivia sozinho numa pequena casa de um só quarto, de dia e de noite a sua companhia era o pequeno radio a pilhas que um parente, cuja cara ele esquecera lhe havia oferecida à muitos, muitos anos.
Mas nem sempre o louco vivera naquele aldeia, para dizer a verdade só nos seus 24 anos é que ele se mudara para lá... O que aconteceu aquele idoso?
Tudo começou no dia do seu 23º aniversário, o louco, que até então era conhecido como Herodes decidiu mudar-se para a casa da sua namorada Diana. Herodes e Diana namoravam à quase 5 anos e para muitos eram o casal mais bonito da academia. Tudo neles parecia perfeito, tudo desde a sua beleza exterior ao enorme intelecto que ambos detinham, tudo neles parecia fácil, mas tudo ia mudar.
Num trágico dia de inverno a mãe de Diana, a única família que lhe restava, morre e com ela vai a facilidade que Deus, nosso senhor, lhes havia abençoado...
Diana entrou em depressão, com a depressão veio um pensamento, o de deixar tudo e com esse pensamento vieram as acções. Todos os dias ela intentava por um fim ao que ela tinha de mais precioso e todos os dias Herodes adiava aquela vontade crescente que lhe percorria as veias, para que logo após, o que ele achava ser um heróico salvamento, vinham os insultos... ele não aguentava mais, apesar das suas tentativas de auxilio ela empurrava-o para um canto obscuro.
Ele chegou a um ponto em que a sua sanidade mental não aguentava mais, ele fez as malas e fez-se à estrada, voltava para a casa dos pais, lugar que ele começava a achar que nunca deveria ter abandonado... Ele arrependesse de ter partido até hoje, pois uns míseros dois dias depois ela atirou-se da varanda, mas antes de se atirar ela deixou uma carta para ele dirigida.
Hoje esperei o regresso do meu cavaleiro encantado, para me salvar dos meus pesadelos. Esperei o cavaleiro que me salva sempre que estou em sarilhos, mesmo que não o queira.
Eu esperei-te amor, mas tu não apreces-te, e tenho medo que se tu não apareceres amanhã eu leve a cabo o pensamento mau que me envenena.
Se não voltares aceite isto como a minha despedida, eu não vou porque te odeio, eu vou porque o meu lado frágil não aguentou mais.
Amo-te muito,
Diana
Ao ler estas palavras Herodes decidiu fugir para onde ninguém o conhece-se, para viver em penitencia.
Ele fugiu de tudo e de todos, porque não se conseguia perdoar pela morte dela.
Ele sentia as suas mãos cobertas com o sangue dela, mas o que ele não se apercebia é que ele não tinha culpa do sucedido, pois ele fez tudo o que estava ao seu alcance, e apesar de aquelas palavras bonitas ela ia acabar por "ganhar" e a sua vida desperdiçar.
Pobre velho louco, que descanses em paz...
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