terça-feira, 2 de julho de 2013

Os demónios do velho louco

Numa pequena aldeia isolada no interior vivia um velho chamado de louco. Ele vivia sozinho numa pequena casa de um só quarto, de dia e de noite a sua companhia era o pequeno radio a pilhas que um parente, cuja cara ele esquecera lhe havia oferecida à muitos, muitos anos.
Mas nem sempre o louco vivera naquele aldeia, para dizer a verdade só nos seus 24 anos é que ele se mudara para lá... O que aconteceu aquele idoso?
Tudo começou no dia do seu 23º aniversário, o louco, que até então era conhecido como Herodes decidiu mudar-se para a casa da sua namorada Diana. Herodes e Diana namoravam à quase 5 anos e para muitos eram o casal mais bonito da academia. Tudo neles parecia perfeito, tudo desde a sua beleza exterior ao enorme intelecto que ambos detinham, tudo neles parecia fácil, mas tudo ia mudar.
Num trágico dia de inverno a mãe de Diana, a única família que lhe restava, morre e com ela vai a facilidade que Deus, nosso senhor, lhes havia abençoado...
Diana entrou em depressão, com a depressão veio um pensamento, o de deixar tudo e com esse pensamento vieram as acções. Todos os dias ela intentava por um fim ao que ela tinha de mais precioso e todos os dias Herodes adiava aquela vontade crescente que lhe percorria as veias, para que logo após, o que ele achava ser um heróico salvamento, vinham os insultos... ele não aguentava mais, apesar das suas tentativas de auxilio ela empurrava-o para um canto obscuro.
Ele chegou a um ponto em que a sua sanidade mental não aguentava mais, ele fez as malas e fez-se à estrada, voltava para a casa dos pais, lugar que ele começava a achar que nunca deveria ter abandonado... Ele arrependesse de ter partido até hoje, pois uns míseros dois dias depois ela atirou-se da varanda, mas antes de se atirar ela deixou uma carta para ele dirigida.

Hoje esperei o regresso do meu cavaleiro encantado, para me salvar dos meus pesadelos. Esperei o cavaleiro que me salva sempre que estou em sarilhos, mesmo que não o queira.
Eu esperei-te amor, mas tu não apreces-te, e tenho medo que se tu não apareceres amanhã eu leve a cabo o pensamento mau que me envenena.
Se não voltares aceite isto como a minha despedida, eu não vou porque te odeio, eu vou porque o meu lado frágil não aguentou mais.
Amo-te muito,
Diana

Ao ler estas palavras Herodes decidiu fugir para onde ninguém o conhece-se, para viver em penitencia.
Ele fugiu de tudo e de todos, porque não se conseguia perdoar pela morte dela.
Ele sentia as suas mãos cobertas com o sangue dela, mas o que ele não se apercebia é que ele não tinha culpa do sucedido, pois ele fez tudo o que estava ao seu alcance, e apesar de aquelas palavras bonitas ela ia acabar por "ganhar" e a sua vida desperdiçar.

Pobre velho louco, que descanses em paz...

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