Um pai senta-se ao lado da sua filha e começa a aconchega-la antes de lhe dar um beijo de boa noite. Ele desliga a luz e começa a fechar a porta, quando a menina lhe fala com a voz mais doce que possas imaginar.
-Papá, conta-me uma histoinha, popavor.
O pai olha para ela com grande ternura e pergunta-lhe a medida que um pequeno sorriso se desenha na sua face
-E que história é que queres que o papá te conte minha flor?
Ela começa a olhar para o tecto, pensando em que história é que queria que o pai contasse desta, lembrando-se que aquela era a história perfeita para o pai lhe contar naquela noite, e então com um sorrisinho malandro ela olha para o pai e diz: Conta a histoinha da mana, popavor!
-Tens mesmo a certeza que queres ouvir essa história?- disse o pai- Eu posso sempre contar a história do gato Tobias!?
-Não,- teimou ela, com ar decidido- eu quero ouvir a histoinha da mana
O pai suspirou e começou a abanar a cabeça em sinal de derrota. Ele odiava contar aquela história, por causa de toda a dor que ela lhe trazia. Mas ela, por algum motivo adorava aquela história. E como ele odiava desiludir a sua pequena, ainda mais que a dor dessa história, lá começou a narrar.
-Muito bem meu piolho eléctrico- disse ele enquanto ela dava risadas- Tudo começou quando o pai andava no 12º ano e começou a namorar uma rapariga...
-Ela era bonita? - interrompeu a criança
-Sim, muito bonita - retomou o pai- mas, não tão bonita como a mamã.
E quando disse isto começa-se a rir, um riso seco e triste antes de retomar a narração.
-Essa rapariga foi muito especial para o pai. Ela e o papá gostavam muito um do outro, e por isso um dia um anjinho veio nos dizer...
-Que por serem muito bonzinhos iam ter a mana- interrompeu a menina
-Disse que iamos ter a tua maninha. A namorada do papá ficou muito confusa, porque ela não estava preparada para ser mamã e mesmo a mãe dela rezando para que ela não tivesse a tua mana, o pai disse...
-Nos vamos ter a mana- disse a menina enquanto se ria
-Sim, a namorada ficou muito feliz, por o papá ficar do lado dela. Mas o problema...
-Foram os meninos maus que começaram a chamar nomes à namorada e tentaram sepaar o pai e a moada- interrompeu a menina outra vez.
O pai olhou para ela com um ar severo e um sorriso traquina e perguntou-lhe enquanto desalinhava os seus cabelinhos ruivos encaracolados- Tu queres mesmo que eu conte a história?
-Sim, gritou a menina
-Shhhhhhhiu, não queres acordar a mamã pois não?- perguntou o pai, ao que ela respondeu com um aceno negativo- Então vamos fazer pouco barulho por causa da mamã está bem?
-Tá bem.
-E não interrompes mais o pai?
-Não, pometo papá.
-Linda menina, onde é que eu ia? Ah pois, os meninos maus. Eles tentaram e tentaram, mas nada conseguiram. Mas os meninos maus conheciam a mãe da namorada, que ao contrário da vovó e do vovô, não queria uma netinha. E por isso, quando ouvi o que os meninos diziam, ela rezou mais e mais, para tentar impedir que a mana nascesse.
Ela largou um suspiro enquanto se agarrava aos lençóis, o pai esfregou carinhosamente o seu bracinho esquerdo antes de continuar: -Ela rezou e até chegou a ameaçar o pai para a deixar, pois se o pai a deixa-se o anjo vinha e levava o bebé, mas o papá mostrou-lhe que gostava da namorada e ela deixou de rezar. E em vez de rezar começou a preparar, contra a vontade, a chegada da neta dela.
O tempo foi passando e o dia da mana chegar aproximou-se, mas a namorada chateou-se com o papá um mês antes do bebé chegar e foi-se embora, nunca mais voltando. Com a partida da namorada o anjo ficou chateado e disse ao papá que por o amor não prevalecer a mana iria para outro casal que se gostasse muito- ele faz uma curta pausa para conter as lágrimas que queriam começar a cair e com um sorriso forçado deu outro beijo na testa da menina- boa noite meu anjo, sonhos cor-de-rosa.
-Boa noite papá- disse a menina enquanto ele desligava mais uma vez a luz e fechava a porta.
A verdade é que a mãe da namorada queria que ela abortasse, os amigos deles chamavam-nos nomes pelo deslize que tiveram. E no oitavo mês de gestação a namorada dele fora atropelada por um camião, os médicos tentaram salvar a vida da criança. Mas nenhuma das duas sobrevivera.
E a sua filha ficara obcecada com a ideia da mana quando ouvira os pais a discutir no dia do aniversário da morte da irmã dela.
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