segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O padrasto que a levou à loucura

Um dia, como outro qualquer, liguei o meu computador e foi verificar o meu e-mail. Ao percorrer a minha caixa de correio eu deparei-me com um e-mail de um amigo meu cujo assunto da mensagem era: "Lê isto o mais depressa que possas pf", intrigado abri esse dito e-mail e lá li o seguinte: "Eu não acredito que ela fosse capaz de fazer isto e ainda por cima colocá-lo na net man, isto é tudo minha culpa, tudo minha culpa eu devia ter-lhe prestado mais atenção..."
Eu fiquei um pouco confuso e encontrei-me prestes a mandar uma resposta a pedir que ele se acalma-se um pouco e me explica-se o que tinha acontecido, quando reparei num link me direccionava para um vídeo do youtube, cheio de fome por respostas eu decidi clicar no link e ver o que me esperava na janela que se abria à minha frente com um vídeo cujo título era nada mais nada menos que a minha história.
Após aguardar que o vídeo que tanto atrapalhara o meu amigo eu fiquei surpreendido ao ver a sua amiga de infância, a Joana, sentada diante uma secretária a falar para uma câmara como uma espécie de vlog. Os seus belos olhos esverdeados como duas belas esmeraldas estavam inchados, a sua maquilhagem borratada e os seus belos, lisos e compridos cabelos platinados estavam completamente despenteados, como se ela em desespero os tivesse tentado arrancar. e então ela começou a falar:
-Tu não sabes quem eu sou mas eu sei quem tu és. Tu és mais uma das muitas pessoas que minha vida infernizaram e por isso eu te odeio. Todos me traíram até aqueles a que chamava de amigos, eu fiquei sozinha sem lado algum para onde fugir, até que só as vozes me restaram... Eu gosto das vozes elas acalmam-me, as vozes são minhas amigas e as vozes estão a dizer que vocês não prestam, mas que tenho de espalhar a minha história, pois as vozes precisam de mais amigos, assim como eu vou precisar de amigos para onde eu vou - houve uma breve pausa e com esta pausa eu senti calafrios a percorrer a minha espinha, calafrios que pioraram quando esta começou-se a rir antes de continuar, um riso que parecia vindo de uma pessoa possuída de um filme de terror - O meu nome é Joana, tenho 15 anos e eu fui violada pelo meu padrasto e a minha querida mãe nada fez para parar aquele filho da mãe, mas hey Ribeiro as vozes dizem que nos vamos encontrar outra vez e desta vez quem vai sofrer és tu... SIM TU! E mãezinha querida, mamã do meu coração tu também vais sofrer, vais sim, pois por tua causa eu ganhei a fama de Puta na escola, e a minha turnou-se ainda pior, muito pior. Os meus amigos começaram a tentar pagar-me para fazerem o que o Ribeiro me fazia, os meninos só pensam nisso, não é o que tu me disseste  querida mãe? NÃO FOI?
Claro que recusei mamã, eu não suportava viver o que vivia na nossa querida casa, não conseguia... era impossível, não era? - fez-se outra pausa, mas desta vez ela olha à volta como se algo que só ela via falava com ela e quando voltou a falar pegou na sua webcam e aproximou-a do seu rosto, desenhando um sorriso lunático no seu rosto outrora belo - As vozes concordam e dizem que apesar de vocês pensarem que estou doida eu não estou, não estou... onde ia? Sim, sim, eu não podia por isso fugia deles, mas os outros meninos são maus inventaram histórias sobre mim, histórias más sobre mim, a minha sorte era o meu amigo Jacob, mas eu já não gosto do Jacob, ele não acreditava nas vozes, pensava que não estava bem, que devia ir ao psiquiatra. Hahahahahahahaha! Eu não preciso, as vozes são minhas amigas, as vozes arranjaram uma maneira de eu fugir dos boatos, de fugir do padrasto que me maltrata e bate, do meu amigo que só quer fazer a mim o que os outros rapazes também querem e da minha mãe que nada fez para parar aquele maldito... HOMEM! Mas tudo vai acabar,vai sim...
O vídeo parou durante um bocado e eu aproveitei para tentar processar o que acabava de ver, aquilo não parecia a Joana, se bem que eu só a tinha visto umas 3 vezes na casa do meu amigo, mas mesmo assim isto não parecia natural. Mas o vídeo retomou antes de eu poder pensar em mais alguma coisa e a Joana pegava naquilo que parecia ser uma pistola de brincar, colocou-a na boca, retirou-a disse que nos odiava, voltou-a colocou-a outra vez na boca e premiu o gatilho, por uns minutos pensei que aquilo era fake e que tudo era a brincar, mas de repente a mãe entra no quarto e solta um grito ao ver a filha naquele estado, depois olha para o computador, deve ter reparado que o youtube estava aberto e fechou-o, mas como aquilo devia de estar a fazer upload directo para o site à medida que a webcam gravava, isso só fez com que o youtube termina-se o upload e o resto, já sabemos. A Joana foi sepultada dois dias depois, o seu padrasto fora preso e a mãe passado 5 semanas formalizou o pedido de divórcio e prestou uma queixa de violência domestica, parece que a Joana não era a única vítima desta história...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Maomé e a Diana Silva

Alguma vez olhas-te para uma mulher e disseste para ti próprio é esta, esta com quem eu vou ver até aos meus últimos dias, é esta mulher com quem eu vou construir a minha família, esta mulher é a tal? Eu não, e nem a minha doce Diana me fez pensar assim.
Nós nos conhecemos na festa de aniversário do seu primo, que era, e ainda é, um grande amigo meu. A primeira vista eu pensei que ela era uma chata de primeira com um riso irritante e uns gostos um tanto duvidosos e ela pensou que eu era um arrogante de primeira, um grande nojento, que nada lhe agradava. Nessa noite nós pensamos um para o outro coitada  da pessoa que ficar com aquela peça. Como nos rimos posteriormente a custa disto.
Durante um ano eu nunca mais vi aquela prima até ao dia que o meu hilariante amigo decidiu marcar um blind date entre mim e ela no restaurante a lavitabella, tudo isto com o intuito de me fazer esquecer a minha antiga namorada, a Sofia.
Eu fui lá com ele pensar que se tratava outro jantar da nossa equipa de futsal, mas para minha surpresa eu encontrei a prima dele que tão mal tinha pensado naquela festa. Eu não sei como é que não fui logo embora nem como ela não se levantou da mesa quando o primo se foi embora e disse "Eu vou deixar os pombinhos em paz", mas ainda bem que não saímos, pois quanto mais falamos mais descobrimos o quanto tínhamos em comum e mais nos fomos interessando um com o outro.
Eu não faço ideia quem inventou essa treta do amor a primeira vista, isso não passa de treta, o que existe é uma atracção e nada mais, pois o amor constrói-se ao longo de várias e longas conversas e com cada obstáculo que se lhe aparece a frente torna-se mais forte até ao ponto em que começamos a pensar é ela, ela é a mulher que vai estar ao meu lado até ao fim, esta será a mãe dos meus filhos, esta é a tal. E não da forma que referi acima!
O nosso amor foi fortalecendo, e nem um acidente que mais tarde é chamado de milagre da vida, nos veio separar, o que nos separou foi uma maldita noite de Janeiro em que o ceifeiro de negro veio nos separar para sempre.
Nesse dia nós tivemos uma grande discussão antes de eu sair da casa dela para ir para um part-time que tinha num bar, eu sai dela fulo e cego pela raiva, entrei no autocarro e sai sem dizer amo-te e sem a beijar. Ela triste e preocupada saiu de casa sem ninguém reparar, para ir ter comigo e as coisas acertar. Ela chega a paragem de autocarros mas mais nenhum ia passar para perto desse local, portanto ela foi a pé. Ela andou e andou até que enquanto passava a passadeira um camião ignorou  o semáforo que estava com a luz encarnada ligada embatendo na minha amada com toda a força, fugindo para não enfrentar as culpas, sorte foi uma senhora de 75 anos ter assistido a esta triste cena e ligado para o 112.
Quando eu descobri o que havia acontecido já estavam a opera-la para ver se podiam salvar a nossa filha, as minhas meninas acabaram por morrer as duas, com uma semana de diferença uma da outra e eu nunca me pode despedir delas.
Esta é a histórica da única mulher que amou Maomé e a mulher a quem ele continuava a pedir perdão a medida que ia perdendo a consciência, mas essa é outra história...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O Maomé e a Lenço Azul



Saudações o meu nome é Maomé e a história que passarei a narrar, a ti, que me quer ouvir nestes meus últimos momentos, deitado nesta cama de hospital, aguardando a chegada do anjo negro sucede-se no meu ano de caloiro, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar no Porto. Nesse mítico ano que eu não irei referir o número, sucedeu-se um enorme leque de acções das quais realçarei 4, 3 das quais referirei agora mesmo, foi nesse ano que me foi dado o nome que referi antes, foi o ano que a minha antiga namorada, a Diana Silva, que Deus a tenha em eterno descanso faleceu. E finalmente foi o ano em que conheci a Lenço Azul e é sobre ela que eu falar agora.

Na praxe eu sempre passei despercebido, quer para os demais caloiros, quer para os nossos doutores, por várias vezes passei por faltar as sessões de praxe quando estava alinhado na fila da frente, e quando se fazia a contagem todos se assustavam quando eu dizia bem alto o número que me era correspondido ao mesmo tempo que o colega do fundo da fila atrás de mim. Se não fosse o meu padrinho a alterar o meu nome no baptismo eu seria para sempre conhecido como “O invisível”, isto é importante referir pois ela era a única que se esforçava para não se rir quando todos davam um salto. Ela fora a primeira a reparar em mim! E por essa razão nos tornamos amigos e a medida que nos íamos rindo nas aulas pelo mesmo se suceder ai e encontrando gostos em comum, acabamos por ficar muito próximos, próximos ao ponto de eu deixar de ser tão transparente aos olhos dos outros, pois se a Lençinho estava ali o Maomé também deve de estar, mas uma coisa veio mudar essa amizade e posteriormente acabá-la por completo… A Diana fora atropelada, entrou em coma e passados 3 meses faleceu e na consequência da sua morte prematura algo mudou dentro de mim, aos poucos e poucos, eu passei a olhar a Lenço Azul com outros olhos, olhos que lentamente fizeram com que passa-se a desenvolver sentimentos, sentimentos que outrora pertenciam única e exclusivamente à falecida. Eu apaixonei-me pela minha melhor amiga!

Apaixonar-me por ela foi a pior coisa e a melhor coisa que me sucedeu nessa altura, melhor pois ajudou-me bastante a superar aquela situação, apesar de me sentir um pouco culpado, quase como se estivesse a trair a falecida, e a pior pois, apesar de quer passar todo o tempo que pudesse com a Azul eu tinha vergonha e medo de o fazer, comecei a evita-la, deixei de falar com ela, até que um dia deixei cair a I LOVE YOU! bomb e fui recusado instantaneamente. Isso deixou-me despedaçado e como prémio de consolação foi me oferecido o podemos continuar a ser amigos?
NENHUM RAPAZ GOSTA DE OUVIR ISSO, OK? NÓS SOMOS ORGULHOSOS! O LET’S JUST BE FRIENDS torna-vos num alvo para nós, e por causa disso nós acabamos por fazer as maiores figuras de parvo da história para vos agradar e esperar que o FRIENDS se torne em algo mais, o que não acontece, na generalidade, fazendo com que nós fiquemos de bolsos a abanar, foi isto que me aconteceu, agora estou deitado numa cama de hospital, como disse, aguardando o ceifeiro, sozinho, sem família, sem amigos, solteiro, a falar da mulher que continuo a amar ao corpo da pessoa que está na cama ao meu lado. Só existe um caminho para acabar as crises cardíacas que tenho tido, tirar o tubo de oxigénio das minhas narinas e morrer lenta e dolorosamente, para tentar encontrar a única mulher que me amou e lhe pedir perdão pelo que a fiz ver enquanto estive por cá, sozinho, até ao final. Adeus bela Lenço Azul, nunca te voltarei a ver, pois decerto que não irás para o inferno comigo…


Dois dias depois a Lenço Azul falece enforcada no seu quarto, pois quando foi visitar Maomé ao hospital, a pessoa que este pensava que era um corpo, estava vivinha da silva, não tinha era forças para o auxiliar. Mas não fiquem tristes, pois eu tenho a certeza que estejam onde estiverem, Maomé e Lenço Azul estarão juntos e felizes, tenho a certeza isso, pois quando ela o veio visitar, foi só amor que eu vi naqueles tristes olhos negros…

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

D Broz: A lenda e o nascimento profetizado

Reza a lenda demónica escrita pelo padre Maximilianus Colbi, a quando este foi possuido, no ano de mortal de 1095, quando os demónios, antes do portal para esse mundo ter sido selado selado por Spardamicus o cruel no ano de 1408, pelo aspirante ao trono da família demónica S, uma das três famílias descendentes do unificador e primeiro monarca do nosso mundo Belzebu o negro, Satanicus o maluco, que dizia o seguinte:
"No ano da milésima terceira lua do reinado do 1001º descendente de Belzebu o anjo negro, filho do temível Lúcifer o anjo vermelho, nascerão duas crianças e uma dessas crianças trará o fim às criaturas das trevas e com ela a paz para os fieis seguidores de nosso senhor Jesus Cristo.
Essas vis criaturas saberão quando o seu julgamento se aproxima quando nessa bendita noite o grito de um dos seus senhores se fizer ouvir por todo o vosso nojento mundo. Os vossos edifícios caíram e os vulcões que fornecem o vosso tão precioso enxofre cessarão e com isto guerras se iniciarão e famílias se extinguirão e no meio de toda essa confusão por vós criada o angelical exercito de sua santidade o Santo Padre abrirá um portal e com as suas mãos trará um verdadeiro a vossa maldita existência e a esse maldito reino, pondo um ponto final a esta santa guerra que travamos com vocês desde a morte do nosso salvador e instituição desta santa organização.
Temei a chegada do que grita pois ele é um enviado do senhor que nos ajudará nesta tão preciosa demanda, Ámen!"
Durante milénios se pensou que esta lenda não passava de uma mera história de terror que se contava aos doces diabinhos quando estes decidiam portar-se bem e não comer a sua sopa de enxofre estufado, mas tudo mudou quando se descobriu que a esposa de Spardamicus III o punho de aço, Flora a bela, filha de Flavius o Ogre o herói da revolta dos Southern daemones, se encontrava de não um, mas dois herdeiros para o real trono da morte.
Quando isto veio ao de cima o medo atacou os buracos que cada demónio tem no peito e a paz começou a reinar, as ruas tornaram-se desertas os habituais gritos e rangeres de dentes que se costumava a ouvir cessaram. O Daemonum Mundus parecia um paraíso o que deixava Spardamicus III o punho de ferro bastante irritado, criou-se uma unidade militar para se devolver o caos e o mal estar ao seu reino, mas os seus soldados também receavam pelas suas vidas.
Na nongentésima oitava noite do reinado do punho de ferro este bane todos os escritos lendários e humanos do seu reino e manda assasinar tudo e todos que acreditassem na lenda Maximilliana na corte demónica, para mandar um exemplo às outras classes. Apenas dois terços dos tementes da lenda que faziam parte da corte é que foram mortos até ao nascimento dos herdeiros.
O tempo passou até que a trágica milésima primeira noite finalmente chegara. A residência real estava numa maior confusão as criadas corriam para trás e para a frente levando tolhas e água a ferver os soldados tinham saído em busca do médico mais próximo, visto que o médico da corte havia falecido de morte natural à dez noites atrás. E o monarca encontrava-se a olhar por uma janela em quanto esmagava um pedregulho que havia tirado de uma enorme baú que ele tinha nos seus aposentos, para quando ele necessitava de se manter calmo e frio.
O tempo passou e eventualmente as crianças acabaram por nascer o primeiro a quem a Flora deu o nome de Spardanteus deu um berreiro que se fez ouvir por todo o reino e fez com que o chão treme-se, os vulcões cessarem, mas nenhum edifício caiu, já o segundo, a quem a mãe deu o nome de Shintetsu, nome estranho para um demónio, deu uma gargalhada capaz de fazer gelar a espinha de qualquer mortal, o tremor de terra parou os vulcões voltaram ao activo e os súbditos da casa real decidiram temos de matar o príncipe  Spardanteus para o bem do Daemonum Mundus.



Continua no próximo mês...

Todas as personagens, armas e localizações referidas nesta história, são propriedade intelectual de Rúben Pinto e do D Studios!

Obrigado ao meu amigo ninguém por me deixar publicar mensalmente a saga de contos D Broz.

domingo, 2 de setembro de 2012

O Mudo do Hospital de Magalhães Lemos


O meu nome é João de Sousa Magalhães, sou psicólogo e a história que passo a contar desenrola-se durante umas visitas que eu fiz ao Hospital de Magalhães Lemos. Inicialmente para visitar um familiar meu que lá se encontrava internado e que por lá ainda se encontra, mas posteriormente para visitar um dos pacientes que lá se encontrava, paciente que os demais chamavam de “O Mudo”.
O Mudo era uma pessoa que se encontrava internado desde o dia 30 de Janeiro de 1997 nunca proferindo uma só palavra, o que saíam da sua boca ora eram suspiros, ora eram grunhidos. O seu cabelo era muito comprido e de um tom castanho-escuro, nos seus olhos havia duas covas causadas pelas enumeras noites que passara sem dormir, tirando a atenção dos seus olhos verdes cor de esmeraldas. Era uma pessoa de estatura média, extremamente magra, pois este só comia quando as enfermeiras empurravam-lhe a comida pela garganta a baixo. Era muito anti-social, quando não estava no seu "quarto" a gritar, O Mudo encontrava-se sempre sentado no mesmo canto com os braços agarrados às pernas, a baloiçar para a frente e para trás durante horas até que se levantava e voltava a fechar-se no outro local.
Por alguma razão este individuo faxinou-me bastante e rapidamente as minhas visitas tornaram-se um pretexto para vislumbrar e estudar o seu comportamento. A princípio contentava-me em estuda-lo de longe, mas numa fase mais avançada eu reparei que na verdade não estava a avançar no meu estudo, e portanto, decidi que a única forma de aprender mais sobre esta pessoa fascinante seria entrando em contacto com ela.
A inicio as minhas intervenções foram verdadeiros fracassos sempre que me aproximava O Mudo fugia e quando não o fazia colocava os dedos nos ouvidos começando a gritar, mas com esses gritos eu descobri que este tinha uma voz aguda, o que provara a minha suspeita de que na verdade O mudo era muda, ou seja uma ela que se tentava passar por uma pessoa do sexo oposto, o que me deixo ainda mais fascinado. As minhas visitas passaram a ser dia sim, dia não em vez de semanais e apesar de durante o primeiro mês de contacto com A Muda, digo O Mudo, digo ela… parecerem mostrar-se tentativas frustradas da minha parte, o que fez com que tivesse vontade de desistir, mas tudo mudou naquela a que eu tinha decidido ser a minha última visita.
Nesse dia ao contrário dos demais dias ela saiu do quarto e veio ao meu encontro puxou-me pela manga e fez um som de “hamham” como quem pede que a siga. Convidou-me a entrar no seu quarto e apontou para a sua cama como quem diz senta-te, fechou a porta e sentou-se no chão a minha frente mirando-me como uma criança curiosa, surpreendendo-me com o que fez a seguir.
-Quem és tu?- perguntou A Muda, após quase 11 anos de silêncio, deixando-me de boca aberta.
Eu fiquei ali daquele modo durante quase 10 minutos chocado por ouvir a foz daquela mulher, uma voz surpreendentemente bela, o que fez com que eu tivesses pena que só agora é que aquela bela voz podes-se ser apreciada.
-Eu sou o João Magalhães, tenho 33 anos e sou psicólogo. E tu como te chamas?- falei finalmente, receando que ela me mandar-se embora por causa da minha profissão.
-Eu sou a Marta Simões, sou licenciada em economia e temos a mesma idade. Eu gosto de ti, tu não és como os outros.- respondeu surpreendendo-me outra vez.
-Como os outros? O que queres dizer com isso?
-Sim como os outros, foste a única pessoa que se deu ao trabalho de me tentar conhecer durante mais de 4 meses, os médicos já desistiram de mim.- respondeu com uma gota de raiva na sua voz.
Durante esse dia nós falamos e falamos até uma enfermeira me ter descoberto no seu quarto e me mandar embora, dizendo que a hora das visitas já havia terminado. Após este episódio as minhas visitas tornaram-se diárias, descobri que a razão do seu silêncio foi o seu pai a ter violado aos 15 anos, ter engravidado aos 16, gravidez que fora fruto das várias vezes que o seu pai a havia violado e quando este descobriu, levou-a a um médico seu amigo e abortou o neto/filho ilegalmente, quando voltaram o pai estrangulou-a enquanto a violava outra vez, ela chorava e não sabendo como enfiou o polegar no olho dele antes de perder os sentidos, fazendo com que este a larga-se, sorte sua. Sorte pois com isto ganhou a força suficiente para fazer as malas e fugir para a casa dos tios. Aos 23 anos os tios internam-na nesse mesmo hospital, onde se encontrava sem comunicar até aquele dia, o dia 20 de Abril de 2007.
As minhas visitas ajudaram-na muito, começou a alimentar-se e a dormir melhor. De estranhos passamos a amigos e da amizade começaram a despertar sentimentos entre nós, o que não é muito profissional da parte de uma pessoa que começou a falar com intuito meramente académico.
A 18 de Junho de 2010 consegui com que a Marta conseguisse alta e desde então nunca mais ouvi falar da senhora Marta Simões, mas não fiquem tristes pois a razão pela qual eu nunca mais ouvi falar de Marta Simões, é porque ela se tornou a senhora Marta Simões de Sousa Magalhães, finalmente iniciou a exercer a sua profissão, e acreditem quando vos digo que ela nunca mais foi infeliz e nunca mais teve problemas de sanidade  para dizer a verdade ela é bem mais lúcida que eu!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Bela e o Besta


É só outra história
A Bela e a Besta

Ela era bela frágil como uma rosa, ele era uma besta escravo dos seus impulsos
No único dia em que deram o nó. Já não eram canalha, cresceram, juntos tornaram-se adultos
Tudo ia bem, assim o parecia na sua primeira lua-de-mel, jurou-lhe ser eternamente fiel e ela a ele, uma história como outra qualquer (sim).

Quem os viu e quem os vê
Mas o tempo passa e as relações esgotam-se… Ficou farto, ela nem nota porque está cega, cega de amor. Mas não aguenta a monotonia, já não quer ser dono de uma mulher só, ou pelo menos era isso que dizia aos seus parceiros de sueca: “Eu saio com outras, mas ela nem sequer nota”
Bela estava cega, mas não era burra. Já duvidava de tantas noites a quantas horas da madrugada.
A primeira vez foi a mais dolorosa, ofereceu-lhe uma infidelidade por cada rosa.
O perdão é o teu ponto fraco pois o que acontece uma vez acontece sempre outra vez…

Tantas cicatrizes, eu já não aguento mais! Doem-me as entranhas de tanto sangrar.
Não existe maquilhagem que possa tapar esta cicatriz no meu coração.
Já não sei quanto tempo poderei aguentar, já não restam lágrimas para chorar, o peso destes anos duplicam a minha idade. Em cada ruga tenho uma marca.
Diz-me que isto não se sucedeu, diz-me que o bairro o esqueceu. Amanhã tudo mudou e isto não passa de uma má recordação.
Sei que queres a minha vida eu sei que não haverá mais feridas, amanhã será um novo dia e seremos felizes outra vez!

Começam as discussões, parece que a ele não lhe agrada. Torna-se insensível e agressivo e a Bela assusta-se. Lágrimas caíam, depois de um empurram e da primeira bofetada, satisfazes-te com um perdão e um abraço.
Não queres dar-lhe importância porque não o queres perder, mas sentes impotência e por vezes pânico e medo.
Ainda não pode ser, depois de tantos anos questionas-te porquê que caíste na ponte
O silêncio não te ajuda, sei que não sabes o que fazer, sabes que foi a primeira e não será a última vez
Acredita em mim, sei que não queres mais problemas, mas não te mantenhas calada se o teu marido te bate
Porque não lhe pertences, mereces muito mais. Esse cretino só tem autoridade se a deres e ele se habituar.
Não consegues pará-lo, não consegues defender-te, não consegues fazer mais nada se não pedir aos céus por sorte
Torna-se normal passar do amor ao ódio, tornou-se numa rotina, noutro mau episódio.
O Besta não gosta de ti, mas quer que sejas sua para sempre: “Se não és minha, não serás de ninguém ENTENDES!”
A Bela não aguenta mais, a cada dia que passava ele tornava-se mais besta e quando ela finalmente quis falar já era tarde demais, deu-se conta que vivia perto do mar…
A Bela e a Besta… prefiro não contar o final

O teu final trespassou-me a mal com uma só batida, calaste as minhas lamentações com brutalidade, tornaste-me noutra triste vitima. O teu triste coração foi a tua perdição.
É tarde demais para retroceder, não voltarei a ter outra oportunidade. Serei um mau dia na prensa local, mas a minha dor será a tua prisão.

E se agora eu pudesse trocar as tuas misérias por outra coisa. Daria tudo para que entendesses o meu sofrimento.
Eu espero que pelo menos a minha história não fique só na tua memória e altere a nossa trajectória para que não se repita este conto…
Este conto que não é eterno, conto que se tem de acabar, temos de ser mais fortes que essa besta, para podermos sair e voltar a viver

Não fiques em silencio…

NINGUÉM

domingo, 26 de agosto de 2012

Bem-vindos ao mundo de NINGUÉM

Senhoras e senhores, meninos e meninas, pessoas de todas as idades e de todas etnias, sejam muito bem-vindos a este pequeno e bizarro mundo onde demónios são na maior parte das vezes os heróis e os clérigos os vilões, um mundo onde os detectives tendem a se desleixar durante o seu trabalho e onde espelhos são portais para mundos paralelos. O meu nome é NINGUÉM, e serei o vosso guia nesta atribulada a um mundo que eu descobrir, por isso agarrem-se aos vossos lugares e acompanhem-me ao MUNDO DE NINGUÉM!